A desigualdade social no Brasil e os impactos nas construções dos sonhos pessoais

A desigualdade social no Brasil e os impactos nas construções dos sonhos pessoais

Fatores que corroboram a desigualdade social e as consequências no território nacional

Escrita por: Gabriel Santana, Mateus Pereira, Cauan Borges e Lorena Almeida

Entrada do Centro Comunitário da Igreja de São Miguel - Foto: Allan Alcantara 

                                       
A visão, entre os sentidos do corpo humano, é o que permite perceber o mundo à nossa frente. Entretanto, quando imaginamos esse lugar, somos capazes de refazer a realidade por meio dos sonhos e alianças mais humanas. Ideal seria se pudéssemos notar a vida sendo não uma utopia, mas como um horizonte possível. Ainda assim, há quem insista em focar esse olhar para o nosso mundo real e então, através de ações e práticas, consiga melhorar a sociedade tornando-a em um lugar com dignidade e esperança como partes comuns do cotidiano popular.

No Brasil, a desigualdade não é um conceito abstrato, ela se personifica com rosto, endereço e rotina, vista nas filas de vagas que se estendem em busca de cesta básica, nas casas improvisadas que desafiam o sonho não concreto da moradia própria e na ausência de oportunidades que se alastram como a dita herança, a nuvem que carrega o símbolo de um sonho mas que quando cai, pode resultar em pesadelo; o peso dessa balança sempre despenca para o lado mais fraco.

É por isso que erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades não podem ser somente metas estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) – são urgências que batem nas portas dos grupos marginalizados todos os dias. Enquanto as políticas públicas falham ou demoram para agir, são as iniciativas independentes – muitas vezes invisibilizadas pelos grandes holofotes ou pela própria imprensa – que reacendem a esperança dos conjuntos de pessoas escanteadas pelo processo governamental. E são as instituições não governamentais que, silenciosamente, constroem abrigos onde antes só haviam abismos, tornando-se as pontes para um mundo mais justo e menos desigual.

Como a desigualdade afeta os sonhos das pessoas?

A desigualdade social no Brasil afeta diversos setores da sociedade brasileira, estabelecendo o aumento da fome, exclusão social, discriminação racial e de gênero, criando uma disparidade na distribuição de renda e fundamentando um desequilíbrio entre as classes econômicas. Além destes quesitos, a problemática também é uma influência significativa no aumento dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes em território nacional.

Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) - entre 2021 e 2023 - o número de estupros contra crianças e adolescentes aumentou de 46.863 para 63.430, representando um crescimento de 35,4%. Só em 2023, isso equivale a uma vítima a cada 8 minutos.

Ainda de acordo com a UNICEF, a pobreza, exclusão social e questões raciais aumentam a vulnerabilidade de pessoas com menos de 18 anos à violência sexual. Por exemplo – em 2022 – 67,1% das vítimas de 0 a 11 anos e 85,1% das vítimas de 12 a 17 anos eram negras (pretas e pardas), evidenciando a desigualdade racial no país. E não para por aí, a falta de acesso a serviços de saúde, educação e assistência social, aliada à fragilidade das redes de proteção, também contribuem para a perpetuação desse ciclo de violência.

Refazendo Sonhos

Neste mês de maio, o dia 18 é uma data importante: é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Uma manifestação social que visa a defesa da infância e adolescência. Alinhado a esta temática, o “A Carestia” visitou as dependências do projeto social “Refazendo Sonhos" para entender mais os problemas causados pela desigualdade social, e como ela se relaciona com o aumento dos casos de violência sexual com os jovens brasileiros, dando visibilidade ao tema.

Faixa do projeto Refazendo Sonhos do Instituto Aliança - Foto: Allan Alcantara

Localizado na cidade de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, o Refazendo Sonhos é um programa do Instituto Aliança, criado em 2015, que trabalha junto aos adolescentes e as famílias, além de capacitar mais de 500 profissionais para auxiliar no processo de atender as vítimas dessas violências, com mais 2000 adolescentes ajudados no município. O “A Carestia” foi recebido por Thainara Meireles, a responsável por realizar a função de apoio de coordenação do programa. Ela guiou a equipe de reportagem pelo local, além de fornecer informações, dar seu depoimento e apresentar as jovens presentes que são ajudadas pelo projeto.

Inicialmente, Thainara nos conta a sua ligação com o município e o projeto, o qual ela também foi beneficiada pelo trabalho desenvolvido junto com o Instituto Aliança. Ela nos explica o funcionamento das ações, como isso corrobora para dar respaldo às práticas que visam proteger os jovens e as famílias, além de perceber os impactos reais nas escolas, no público-alvo e com a sua comunidade, a fim de dar protagonismo juvenil. Principalmente quando essas atividades não são fornecidas pelos poderes governamentais, tornando esse grupo a ser invisibilizado e marginalizado.

“Fui uma das profissionais que foi impactada por uma das ações do projeto Refazendo Sonhos, porque a gente atua com foco no enfrentamento da violência sexual. Então, esse é o nosso foco de atuação. E a partir desse foco de atuação, a gente tem trabalhos com os adolescentes, com as famílias e com os profissionais”, iniciou Meireles.

Thainara sendo entrevistada por Gabriel Santana - Foto: Allan Alcantara

Referente à temática de capacitação dos profissionais integrantes do projeto para lidar com os jovens, Thainara nos explica: “E com os profissionais, havia todo um processo de formação desses profissionais para prepará- los para lidar com o atendimento de crianças e adolescentes vítimas dessas violências”.

Em depoimento, a responsável pelo apoio de coordenação do projeto conta sobre a sua relação com o Refazendo Sonhos, e como ele influencia os jovens: “Eu fui uma das profissionais que passei pela formação, uma formação muito preparada, muito completa e que deu muito respaldo, uma bagagem para a gente, enquanto profissional do município, lidar com essa violência. Então, é um projeto que traz impactos reais para os adolescentes”.

Além disso, Thainara aborda a importância dos jovens se comunicarem entre si para assumirem uma saída que ela denomina de “protagonismo juvenil”.

“Então, a gente acredita muito no protagonismo juvenil dos adolescentes. E no Refazendo Sonhos, a gente preza por isso. Que os adolescentes consigam falar para outros adolescentes sobre a temática, sobre a violência, enfim. Criar essa proteção entre eles de forma geral. Até como forma de quando eles ficarem adultos, eles possam passar justamente essa experiência que eles sofreram a ponto de erradicar essas prescrições ilícitas que os jovens sofrem”.

”A Carestia” também ouviu algumas histórias contadas por Raquel, Melissa e Marcela. As jovens são participantes das ações realizadas pelo Refazendo Sonhos e nos contam sobre como o projeto impacta em suas vidas.

Depoimento de Raquel 


Raquel começou a participar do projeto em 2025 após conhecer por um panfleto e já percebeu mudanças significativas em várias questões na sua vida, ela nos contou sobre as violências que aconteceram e que não soube distinguir como violência, pois ela não tinha conhecimento de que podiam acontecer de forma velada.

Raquel, participante do projeto, dando depoimento ao A Carestia - Foto Allan Alcantara

“Eu era uma menina que não me comunicava, eu era bem tímida, quase não falava com muita gente. Para conversar, era com pessoas da minha família e também não tanto, não conseguia entrar em assuntos mais delicados, e o Refazendo Sonhos me ajudou nessa comunicação. Eles ajudaram justamente a ter conhecimento do que acontece, às vezes você não tinha, digo assim, em termos de o que era mesmo, né? Você sabia o que era, mas não sabia como contar para as pessoas que estavam sofrendo”, contou.

A fala da jovem exemplifica a importância de esclarecer essa temática – para que as violências sofridas pelos jovens sejam evidenciadas. E isso se torna possível através da educação e políticas com ações de conhecimento fornecidos por projetos como o Refazendo Sonhos.


Depoimento de Melissa


Melissa conheceu o programa em Simões Filho através da sua psicóloga que entregou um panfleto e a recomendou participar para ajudar na socialização e amenizar sua timidez. 


“As atividades inicialmente foram melhorando a minha vida em questão, que me obrigaram a sair da minha zona de conforto, entendeu? Que foram me obrigando a falar, a me expressar mais, entendeu? Para eu me tornar alguém melhor”, relatou.



Melissa revelando detalhes sobre as atividade - Foto: Allan Alcantara


A jovem também abordou sobre as atividades realizadas por ela no projeto: “As atividades que eu realizei foram a questão de projeto de vida; educação, identidade, inclusão e comunicação, saúde, sexualidade e gênero, ética e cidadania e design thinking”.


Perguntada sobre indicar o projeto para outros jovens que estejam desejando participar do Refazendo Sonhos, ela não poupou palavras e demonstrou entusiasmo.


“Com certeza indicaria muito, indicaria muitíssimo. Na verdade, eu já indico para todos os meus círculos de amigos, de família, todo mundo indico esse projeto. Só que a maioria acaba não achando que é tudo isso. Mas quando vem aqui, vão saber que é tudo isso sim. E as pessoas meio que ficam com dúvida, com receio, né? Se vão ser acolhidas, se vão ficar bem aqui”, completou. 

Depoimento de Marcela 


Marcela soube do projeto Refazendo Sonhos através da escola por amigos que já tinham participado, ela conta que inicialmente não achava que gostaria pois teria que acordar cedo, mas rapidamente, amou a experiência justamente por mudar a sua rotina.


Marcela dando depoimento ao A Carestia - Foto: Allan Alcantara

Por causa das conversas que teve com a psicóloga do projeto, passou a ter vontade de seguir essa profissão, pois “me deu mais força de vontade, um norte para você seguir a sua vida baseado no que você aprende aqui, ela foi uma luz no fim do túnel”, destacou.

No fim do seu depoimento, contou sobre como enxerga o projeto na sua vida e se indicaria para as pessoas: “Eu indicaria como um projeto de vida porque ele muda totalmente sua vida. Se sua vida tá ruim, ela vai melhorar 100%, as pessoas daqui são muito acolhedoras, os profissionais são muito responsáveis, eles sabem como ajudar e se importam com a gente”.


Depoimento de Luiz Carlos


Luiz Carlos, educador do Refazendo Sonhos, realizou um panorama inicial da cidade de Simões Filho – em entrevista ao A Carestia – e citou quais implicações afetam a vida dos jovens habitantes: "Eu acho que Simões Filho lidera alguns índices de violência, de cidade mais violenta do país. Já esteve em primeiro lugar alguns anos atrás. E essas violências estão em todos os espaços que esses adolescentes vivem, às vezes na família, no bairro, nas escolas, nas ruas. Então, tudo isso tem um impacto direto nessa formação. E quando é um município que tem muitas violências, a gente fala também das violações dos direitos, que é a violação de uma educação de qualidade, a violação de uma saúde que assiste a essa população, de uma assistência qualificada e humanizada para atender essas pessoas."


Luiz Carlos, educador do projeto Refazendo Sonhos - Foto: Allan Alcantara

Acerca de como as violências presenciadas pelos jovens afetam suas vidas, ele relata: “Então, a gente vai percebendo lacunas em todos esses setores que fazem com que todo e qualquer processo de aprendizado seja difícil, porque esses adolescentes que vêm de espaços que eles já reproduzem essas violências, e o que é pior, em muitos casos, eles naturalizam essas violências”.

O Refazendo Sonhos, criado pelo Instituto Aliança, é um exemplo concreto de como ideias e ações – quando unidas – conseguem contribuir para o bem-estar de pessoas marginalizadas pela sociedade, mas não só elas, também favorecendo quem ajuda, construindo uma troca de conhecimento e afeto.

👉 Clique aqui e assista a reportagem do Refazendo Sonhos!

Todos esses relatos coletados pelo “A Carestia” corroboram para compreender um pouco dessas questões problemáticas que afetam as pessoas, o mundo que a cerca e como esses projetos colaboram para tornar a nossa sociedade um pouco mais justa – mesmo com problemas de desequilíbrio econômico. Simões Filho – cidade onde o programa está localizado – lidera entre as grandes cidades baianas em dependência do Bolsa Família, com aproximadamente 41,56% da população beneficiada. Esse dado reflete a dependência da população em políticas públicas de emprego e renda, tornando-as presas a esse processo, que acabam agravando outras questões, como a da violência sexual entre jovens, citado anteriormente pela reportagem.


Desigualdade social e a ligação direta com a falta de direitos básicos


Um dado referencial que o "A Carestia" usa em sua base de pesquisa nessa reportagem a fim de dar respaldo acerca das desigualdades, é o Índice de Gini. Que é uma medida que varia de 0 (igualdade perfeita) a 1 (desigualdade máxima) é utilizada para avaliar a distribuição de renda de um determinado grupo social.


Dando prosseguimento aos trabalhos realizados nessa reportagem, o A Carestia conheceu a ONG chamada 12 Sonhos e entrevistou, por meio de uma videoconferência, Isabella Peixoto (vice-presidente da 12 Sonhos) e Eraldo Souza Paixão (professor de Filosofia e um dos idealizadores da ONG).



Entrevista com os integrantes do projeto 12 Sonhos, Isabella Peixoto e Eraldo Souza - Reprodução / Google Meet

Segundo dados do Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), dentre as grandes metrópoles do Brasil, Salvador está em 24°. Um local marcado por extremos em relação à desigualdade social fica evidente quando percebemos uma segmentação entre dualismos na própria capital (Cidade Baixa - Cidade Alta), onde nota-se que determinados problemas afetam um grupo específico: os habitantes dos locais mais vulneráveis. Alguns bairros concentram riquezas e investimentos, outros convivem diariamente com a negligência do poder público, a precariedade de serviços básicos e a violência estrutural, problemas que demonstram um pouco essa desigualdade.


Um dos bairros da capital baiana que exemplifica esse contraste e o dado sobre a desigualdade são o Imbuí e Boca do Rio, no qual a proximidade entre eles pelo ambiente que os cercam, assim como a diferença para além das características geográficas socioeconômicas, o que torna todas essas características visíveis. É nesse cenário desbalanceado que, Isabella Peixoto e Eraldo Souza, membros da diretoria do 12 Sonhos, constroem sua trajetória dando voz e visibilidade a quem muitas vezes é ignorado. Suas falas são atravessadas por experiências de enfrentamento à pobreza e à exclusão social pelos poderes públicos.


O projeto 12 Sonhos surgiu em 2015, por meio de 10 integrantes, que na época, eram adolescentes e amigos de escola. O nome escolhido se deu por conta de uma meta prévia objetificada: realizar 1 sonho por mês e alcançar o número de 12 sonhos por ano. A organização tem enfoque em dar amparo para pessoas desabrigadas e em situação de extrema vulnerabilidade na cidade de Salvador e no interior da Bahia, além de combater a fome e levar a segurança alimentar para as pessoas.


Homem comendo um sanduíche distribuído pelo projeto - Reprodução/12 Sonhos

No início das atividades, enquanto eram estudantes do Colégio Montessoriano, começaram a arrecadar alimentos e doações de “porta em porta’’ pelas ruas do bairro Boca do Rio. A iniciativa se consolidou rapidamente através do alcance e projeção, levando a um aumento das contribuições; essas arrecadações seguiram do final do ensino médio até a chegada da vida adulta dos integrantes.


A partir da projeção conquistada, foram criados métodos para impulsionar o ganho potencial de arrecadação. Um sistema de “rotação de caixa” foi feito com doadores mensais que poderiam contribuir com qualquer valor. Isabella nos conta que essa ideia foi criada em 2020, os valores mínimos são de 5 a 100 reais.


A ONG 12 Sonhos almejava interagir e gerar ligação com seu público, pois compreendia que é um fator importante para o projeto. Uma das propostas foi criar um grupo, em uma rede social, para que todos os contribuintes adicionados pudessem se comunicar e realizar para além das doações, notificarem a ONG acerca de problemáticas encontradas em sua vizinhança, assim o projeto poderia realizar alguns mutirões, principalmente relacionados a pautas ambientais.


Em certo ponto da entrevista, o "A Carestia" pergunta aos entrevistados como enxergavam o papel da ONG na sociedade numa visão macro: “Tendo o entendimento e a consciência dos nossos privilégios, cabe a nós retribuir isso de uma forma positiva para a sociedade. Seja doando, participando de uma ação, doando o corpo mesmo, o tempo e o comprometimento para ajudar o próximo. É fazer o bem sem olhar a quem.” Isabella disse.


Em relação às formas como possíveis voluntários são recrutados e a quantia financeira que pode ser doada, Isabella nos conta que normalmente, as mensagens são recebidas pelo direct do Instagram, plataforma de maior alcance do projeto. E geralmente, a diretoria da organização encontra com essas pessoas em seus endereços próprios, levando assim até o local das campanhas. Sem querer os doadores precisam se preocupar com locomoção.



Músico participando do Natal Solidário da 12 Sonhos - Reprodução / 12 Sonhos

Para conseguir maiores doações provenientes de empresas, o 12 Sonhos está em processo para ter o seu próprio CNPJ. Essa medida seria pela preferência das pessoas em fazer doações para instituições com essa característica. Além disso, o projeto busca definir uma sede para o projeto, tendo em vista que não há um local fixo. O espaço próprio continua sendo um desejo dos organizadores, considerando que haveria melhorias de um modo geral nas atividades desenvolvidas.


Projetos como o 12 Sonhos, advindos de iniciativas onde pessoas comuns se reúnem  para ajudar e apoiar os menos capacitados, sobrevivem através do apoio entre elas, uma vez que ainda há dificuldade em apoio financeiro e estrutural de empresas privadas. 

 

Por exemplo, por não possuírem parcerias fixas, atualmente há uma dificuldade em  produzir grandes campanhas e devido a falta de apoio, somente ações pontuais. Quando possível, os pequenos projetos buscam parcerias entre si. Normalmente, essas parcerias ocorrem em ações específicas entre programas que compartilham dos mesmos valores e propósitos. Neste ano, em parceria com a ONG: Amor Gera Amor, instituto que já esteve presente em uma edição anterior da A Carestia, essa parceria aconteceu com o objetivo de arrecadar material escolar para crianças carentes. Outra ação em conjunto aconteceu com a CUFA (Central Única das Favelas), um órgão que tem a luta contra a desigualdade social como uma das bandeiras levantadas pelas suas iniciativas.


Durante as chuvas que ocorreram em 2024 no estado do Rio Grande do Sul, o projeto também montou ações para a arrecadação de doações para as pessoas afetadas pela chuva. A loja do Bahia, a Casa de Apostas Arena Fonte Nova e o Shopping Paralela foram usados como palco de doações e Isabella nos conta que no total, as doações combinadas foram tamanhas que seriam capazes de “entupir um estádio de futebol”. A vice-presidente reiterou que o 12 Sonhos é apartidário e está aberto para receber todos os tipos de ajuda, independentemente de quaisquer vieses. “A nossa crença é fazer o bem’’, disse Isabella.


De autoria do projeto 12 Sonhos, foi citado o Natal Solidário, ação feita nas ruas  fornecendo ceias natalinas, levando mesas e cadeiras, além de um músico para as ruas onde a iniciativa  realiza o ato na data comemorativa. Isabella nos contou como funciona esse processo: “A gente tenta dar o mínimo de dignidade para essas pessoas que estão passando por uma situação complicada nessa época do ano, não só levando um alimento. A gente tenta que eles tenham uma ceia mais digna’’, destacou.


Além da prática no fim do ano, outra realização desenvolvida é a “Sangue do meu Sangue’’ – originalmente no mês de junho – também realizada originalmente pela ONG. Em tese, é focada na doação de sangue humano, mas o 12 Sonhos vai além, há também a ação para a doação do plasma sanguíneo animal. Uma curiosidade é que Bruce, cachorro e animal de estimação de Iran e Allana (integrantes da diretoria do projeto) é o mascote dessa iniciativa.


Voluntário participando da ação “Sangue do meu Sangue’’ - Reprodução / 12 Sonhos

O projeto 12 Sonhos também já esteve presente na região metropolitana de Salvador e – segundo Isabella – as idas para o interior do estado não se tratam de campanhas fixas. Houve uma oportunidade e, por conhecer pessoas da localidade de Terra Nova, foi feita uma grande campanha que consistia em auxiliar 200 pessoas para prevenção à saúde e atendimento jurídico com advogado presente para dar todo o suporte nesse tema. Um barbeiro também foi levado para o local como um dos serviços disponibilizados. 


O “A Carestia” perguntou sobre a quantidade de pessoas que são beneficiadas com toda a essa colaboração e cuidado do projeto. Um número específico não foi informado, mas a diretoria estima que esteja próximo de 200 pessoas mensalmente e 2.400 pessoas anualmente. Normalmente, as ações costumam ter algo em torno de 60 cestas básicas doadas e 300 cachorros-quente. A iniciativa – ainda de acordo com a vice-presidente – já esteve presente em mais da metade dos bairros de Salvador e 32 já foram abraçados pelo Projeto 12 Sonhos, como: Boca do Rio, Largo dos Mares e Aquidabã estão entre as localidades mais visitadas pela iniciativa.


Para completar o encontro, perguntamos aos integrantes do projeto sobre metas e desejos que os organizadores têm em mente para os próximos meses/ano. Os colaboradores declararam que almejam enxergar a cidade de Salvador com  menos índice de criminalidade do que está atualmente, menos desigualdade, menor quantidade de pessoas nas ruas e em situação de vulnerabilidade. No setor quantitativo de objetivos em torno das ajudas do projeto, Isabella e Evaldo citaram que gostariam de fazer alguma ação que pudesse ajudar em torno de 5.000 pessoas.


Colaboradores entregando cestas básicas na ação Terra Nova - Reprodução / 12 Sonhos

“Combatemos a fome e levamos também a segurança alimentar, tendo o entendimento e a consciência dos nossos privilégios cabe a nós retribuir isso de uma forma positiva para a sociedade, seja doando, participando de uma ação, doando o corpo mesmo... o tempo e o comprometimento para ajudar o próximo. Fazer dos meus privilégios um caminho para tornar o mundo cada vez melhor’’, enfatizou Isabella.


Todos esses casos e fatores corroboram na importância de ajudar o próximo, visando melhorar – dentro do possível – o bem-estar social das pessoas que vivem na margem da sociedade ou que não possuem condições de se estabelecerem no atual momento do meio social, através de práticas que destinem uma parte do tempo de idealizadores – como as do projeto 12 Sonhos – buscando a viabilização de processos básicos como o acesso ao alimento, ou da chance de ter o alcance a informação, que é o objetivo do "A Carestia"


No entanto, realizações como estas não podem resolver as problemáticas que cercam o Brasil de forma solitária, é por isso que a cobrança contínua aos órgãos públicos e a extrema investigação da imprensa com os líderes políticos devem caminhar de forma alinhada, para que – de forma otimista – consigamos sonhar.


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